terça-feira, 28 de junho de 2016

Ao vencedor, as batatas de Machado de Assis





Ao vencedor, as batatas!





Considerado o máximo da nossa literatura pela Academia Brasileira de Letras, a qual presidiu por mais de 10 anos, José Maria Machado de Assis e sua obra Quincas Borba é a inspiração da nossa receita de hoje.  http://www.machadodeassis.org.br/



Sua obra Quincas Borba,   que faz    parte de sua  trilogia realista- junto com Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro- é merecedora de estudos por tratar da transformação do homem em sua "coisificação”.










Resumidamente, o livro conta a história de Rubião, ingênuo rapaz que se torna discípulo e herdeiro do filósofo Quincas Borba, que sendo enganado por seu amigo capitalista Cristiano e sua esposa Sofia, paixão de Rubião, vive na pele, todo o fundamento teórico do Humanitismo, que é explicado abaixo nas palavras de  Quincas Borba. Nascendo então, a famosa expressão- " Ao vencedor as batatas".  




“ Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é princípio universal e comum. Daí o caráter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais feitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.
- Mas a opinião do exterminado?
- Não há exterminado. Desaparece o fenômeno; a substância é a mesma. Nunca viste ferver água? Hás de lembrar-te que as bolhas fazem-se e desfazem-se de contínuo, e tudo fica na mesma água. Os indivíduos são essas bolhas transitórias. ”


(Quincas Borba, Capítulo VI)


Então, ao Vencedor, as batatas! Ou o pão de batata. Vamos a ele então:



Pão de Batata

 

Ingredientes:


2 ovos
2 batatas grandes cozidas
30 g de fermento biológico
2 colheres de sopa de óleo ou azeite
1 colher de sopa bem cheia de manteiga ou margarina
½ xícara de leite
½ xícara de açúcar
1 colher de chá de sal
1 gema batida com algumas gotas de azeite para pincelar
+ ou – 700 g de farinha de trigo

Modo de fazer:

Bata bem todos os ingredientes, menos a farinha de trigo, no liquidificador. 

Verta o líquido em uma bacia e vá colocando a farinha de trigo aos poucos, misturando com uma colher de pau. 

Transfira a massa para uma superfície de trabalho e amasse até ficar bem macia e não grudar mais nas mãos. Deixe descansar dentro da bacia em local fechado (eu coloco dentro do micro-ondas). 

Quando a massa tiver crescido (30/40 m), faça os pãezinhos, arrume-os em tabuleiro bem untado e espere crescer mais um pouco (pegue uma bolinha de massa, do tamanho de uma bola de gude e coloque dentro de um copo com água, quando a bolinha subir, está no ponto). 

Pincele com a gema batida e se quiser polvilhe com queijo ralado, ervas, gergelim, semente de papoula, o que tiver em casa, e leve ao forno médio até que estejam crescidos e dourados.

Obs.: Os pães crescem bastante


COLUNA


 














Por Karla Milward- cozinheira chefe internacional formada pelo SENAC/CIA de Águas de São Pedro  SP.  Karla comanda a coluna Livro na Panela.