quinta-feira, 23 de junho de 2016

o aroma do nammura revela a tradição libanesa









Para entrar no clim



“Fazia tempo que todo mundo as estimulava a abrir uma confeitaria e rentabilizar seu talento, mas se negavam, alegando que faziam aquilo com carinho para seus conhecidos e que era o amor que adoçava os doces, não o mel ou o açúcar. Embora cada um tivesse seu favorito, o nammura e o mamul eram, sem dúvida, as estrelas dos doces. Quando apareciam em alguma celebração, ouviam-se murmúrios de aprovação, e as pessoas ficavam sem palavras ao saborear a manteiga, as nozes e o mel que derretiam na boca, e os olhos expressavam o supremo êxtase que esses sabores provocavam. ”

                                                                              Mel e Amêndoas de Maha Akhtar
(resenha ao final dapágina)


Queria muito falar sobre um livro que se chama “Dias de Mel” escrito por uma jornalista americana que se casa com um Libanês e acabam indo morar no Líbano. É um livro que, em meio a guerras no oriente médio tem um foco tão carinhoso na cultura alimentar árabe que me fez retomar as minhas raízes e começar a fazer ou voltar a fazer “receitas de família”




Mas, ao procurar o livro lembrei que o havia emprestado; a quem? Não sei. Então, lembrei de uma outra história que também se passa no Líbano e fala em comidas árabes, e se não se derrama como o primeiro, instiga. "Mel e Amêndoas",  de Maha Akhtar.


Neta de Anita Delgado e filha de um  marajá, a  jornalista e escritora Maha Akhtar é autora de Mel e Amêndoas.  





E assim, trago a vocês a receita do Nammoura, exatamente como o meu avô Mohamed Kassim Lauar, natural de Karneil, nas montanhas do Líbano ensinou para a sua nora, minha mãe, que por sua vez me repassou as receitas.

Meu inspirador avô Mohamed Kassim Lauar






NAMMURA


Ingredientes:

4 copos (americano) de semolina
1 copo de açúcar
1 copo de manteiga
+- 2 copos de leite
1 colher de sopa de pó Royal

Modo de Fazer:


Esfregar a semolina, o açúcar e a manteiga com as mãos até se obter uma farofa, juntar o leite, mexendo com uma colher de pau até a consistência de bolo.

Agregar o pó Royal e levar a assar em tabuleiro médio bem untado, até dourar.
Tirar do forno, cortar em losangos e jogar a calda por cima.

Calda:

1 kg  de açúcar – 1 copo (aquele copo que já foi usado na massa)
2 copos de água
Suco de 1 limão
Água de rosas ou flor de laranjeira (opcional)


Mexer bem, até dissolver bem o açúcar e levar ao fogo. Deixar em fogo médio até o ponto 
de fio.



Coluna












Por Karla Milward- cozinheira chefe internacional formada pelo SENAC/CIA de Águas de São Pedro  SP.  Karla comanda a coluna Livro na Panela.


_______________________________________________________________

Resenha do livro: 

O destino e as histórias de seis mulheres acabam se cruzando em um salão de beleza em Beirute, e elas compartilham momentos de solidão, felicidade, medo e frustração. Esse é o pano de fundo de “Mel e Amêndoas”, novo livro da jornalista Maha Akhtar. Mouna Al-Husseini, a atrevida proprietária do salão Cleópatra, luta para sobreviver com o pouco dinheiro que ganha, além de ter de aguentar a rispidez de sua mãe, que a repreende por nunca ter se casado. Já Amal, sua tímida assistente, mantém um segredo a sete chaves. Do outro lado do balcão, suas novas clientes desenvolvem um sentimento de profunda amizade, apesar de suas diferentes procedências sociais, religiosas e culturais: Imaan Sayah, uma importante diplomata libanesa, Nina Abboud, vítima da guerra que ainda não conheceu o verdadeiro amor, Lailah Hayek, uma ex-Miss Líbano infeliz no casamento, e Nadine Safi, esposa de um ex-embaixador e dona de uma calorosa personalidade. Essa narrativa sensível e envolvente, cheia de personagens femininas cativantes e histórias paralelas, leva-nos a caminhar pelas exóticas ruas de Beirute e sentir seus aromas, seus personagens e seus conflitos. (http://www.saraiva.com.br/mel-e-amendoas-4936381.html)

Entrevista com a autora
(em espanhol) 




A vida desta escritora já é uma bela história, veja aqui: 


segunda-feira, 20 de junho de 2016

Vamos até as Ilhas Blas no Panamá?


Dica 













Da nossa aventureira e nas horas vagas dermatologista 


Maria Cláudia Cardoso 




ILHAS BLÁS sem blábláblá









San Blas, no Panamá, é um arquipélago de 365 ilhas, uma para cada dia do ano,  tão pequenas que se leva no máximo 15 min para circundar e isto é caminhando devagar.




Para quem não sabe é um território dos Kuna Yala sendo uma comarca indígena autômato e aí começa a diferença, eles são orgulhosos de sua cultura e apenas cerca de 36 ilhas são habitadas. Tudo corre segundo o tempo deles. 



O povo Kuna Yala, de origem Colombiana fugiu do país, devido à perseguição do governo e também por causa da malária no século 18, em direção ao Panamá. Em 1925, depois de realizarem uma revolução, conseguiram autonomia sobre a comarca chamada de Guna Yala, na qual está o arquipélago de San Blás.


Deve-se ressaltar que para visitar essas ilhas você tem que ter autorização dos Kunas e eles não reservam com antecedência, só in loco você pode negociar com os próprios. As ilhas são de famílias e elas podem ou não querer te receber.




Sabendo que era um lugar paradisíaco embarquei, em fevereiro de 2016,  torcendo para tudo dar certo. Ao chegar ao hotel, este sim reservado, consegui fechar minha visita e pernoite, mas não consegui ficar as duas noites em cabana dupla tendo que ficar uma noite na coletiva.



Às cinco da manhã estava na porta do hotel, mochila pequena (não tem muito lugar para bagagem), garrafas de água, frutas e barras de cerais, lanterna, lenços de papel, toalha, cordinha para fazer varal e, apesar de ficar em cabanas, sacos de dormir são essenciais.

Entrei em um 4x4 ansiosa. Me disseram que a estrada era terrível e muita gente enjoava. Fomos pegando outras pessoas, entramos em uma rodovia e depois a famosa estrada, tirei de letra.

Paramos para checar o passaporte, não esqueçam o passaporte é uma comarca atomata e eles checam mesmo.

Finalmente, chegamos ao nosso porto de destino, pelo que vi tem pelo menos três portos, e é uma confusão organizada, é essencial saber o nome do barqueiro.

Barqueiro identificado, entramos em nosso barquinho; a dica é sentar na parte de trás, porque bate menos.Chegamos ao destino de nossa aventura; fomos recepcionados por Kunas sorridentes.




 No meu porto saí por num canal e toda a ansiedade foi embora; mar lindo! Paramos para os  kunas comprarem alimentos e partimos para a ilha.  Ainda bem que tudo estava embalado em sacos estanques e eu estava com um impermeável. Um pontinho foi crescendo e eis que surge a “minha ilha” , logo me apaixonei.




Curiosidade




Nas ilhas vivem 150 mil kunas, divididos em 50 comunidades. O interessante é que na tradição Kuna, as ilhas pertencem às mulheres. Então, cada ilha tem uma ou mais donas. Quando há um casamento, o noivo ganha o sobrenome da mulher e vai morar na casa dela.
Os Kunas, aliás, têm uma cultura muito democrática, onde todos têm opinião e onde não existe discriminação.
Apesar das mulheres serem consideradas “donas das terras”, os homens têm grande participação na organização da sociedade Kuna e são, em geral, os representantes políticos. Cada comunidade tem seu sila, um tipo de cacique da tribo, em geral o mais velho da vila. E os kunas têm direito a eleger um sila para ocupar uma vaga no parlamento panamenho.







Tudo é muito rustico com banheiros coletivos, mas,  imediatamente você desacelera e  tudo é  tão lindo. 






 Todas as refeições formam gostosas e fartas e parecia que estava na ONU- com alemãs, espanhóis,  suíços, canadenses, franceses, uruguaios e brasileiros; Santo inglês!

Mergulhar no mar era uma experiência a parte. O que falar da transparência, dos corais e dos peixes?











Nesta ilha  tinha cerveja gelada e drinks e tê-los no por do sol ...Fiz um passeio para outras ilhas e pude ver melhor o arquipélago. Da próxima vez talvez fique em um catamarã ou na ilha dos perros ou do coco blanco, mas que eu volto, volto sim

Custos

Fui com a Transkuna SA ( 390-2577) e com o motorista Beto(61051793/66446307): U$60  pelo transfer e barco ida e volta;
Estadia na Iguana: U$50  por pessoa na cabana dupla e U$ 35 na coletiva, com café da manha, almoço e jantar.
Passeio para outras ilhas:U$10 por pessoa


Mais Dicas de como chegar:

domingo, 19 de junho de 2016

Pedro Nava e Geir Campos são citados como poetas brasileiros por Pablo Neruda













Dica de Duda Fernandes
Jornalista e fundadora do Latitudes 


Neruda





Para este domingo, vamos de poesia. Ao ceder uma entrevista à Clarisse Lispector, Pablo Neruda, cita como poetas brasileiros Pedro Nava e  Geir Campos-   Ambos, foram  amigos queridos do meu pai daí o carinho especial. 



Pedro Nava 


Muitos brasileiros nunca ouviram se quer falar de nenhum dos dois.  Tive a oportunidade de trabalhar em editoras de livros, na Bienal do Livro e mais recentemente nas Bibliotecas Parques do Estado do Rio de Janeiro e o que pude perceber é que assim como Nava e Campos, muitos autores reconhecidos por grandes nomes da literatura mundial, não são conhecidos da grande massa tupiniquim. Há sim uma grande ode, aos não menos merecidos poetas, mas, são quase sempre os mesmos nomes de sempre. Não se abre o leque cultural, porque? 




Geir Campos 


Geir Campos é considerado um dos mais importantes representantes da Geração de 45, movimento da poesia brasileira em que predominavam o rigor formal e o intelectualismo, que teve como articuladores, além do próprio Geir, poetas como Péricles Eugênio da Silva Ramos e Domingos Carvalho da Silva. Antônio Cândido considera Geir Campos um dos mais significativos e atuantes da Geração de 45. Alfredo Bosi o coloca como "um dos virtuoses de sua geração" e Manuel Bandeira o considera o Guilherme Almeida da Geração de 45. Antônio Houaiss o universaliza, quando diz que "vivendo os vaivéns de nosso tempo, a obra de Geir Campos vem também apresentando facetas várias - mas sempre com uma garra de tão honesta prospecção poética, que rotulá-la sob uma rubrica qualquer seria reduzi-la a uma imobilidade que lhe é a face oposta."
http://www.avozdapoesia.com.br/autores.php?poeta_id=265




 " Defunto" de Pedro Nava, foi citada na entrevista que Pablo Neruda dêu à também genial Clarice  Lispector que era  a poesia brasileira que mais lhe agradava e que sempre lia em voz alta para os amigos: "Admiro Drummond, Vinícius, Jorge de Lima. Não conheço os ma­is jovens e só chego a Paulo Men­des Campos e Geir Campos. O poema que mais me agrada é o “Defunto”, de Pedra Nava. Sem­pre o leio em voz alta aos meus amigos, em todos os lugares" (http://www.revistabula.com/955-clarice-lispector-entrevista-pablo-neruda/)












DEFUNTO
Pedro Nava 

Quando morto estiver meu corpo, evitem os inúteis disfarces, os disfarces com que os vivos procuram apagar no morto o grande castigo da morte.
Não quero caixão de verniz nem ramalhetes distintos, superfinos candelabros e nem as discretas decorações. 
Quero a morte com mau gosto!
Dêem-me coroas de pano, flores de roxo pano, angustiosas flores de pano, enormes coroas maciças como salva-vidas, com fitas negras pendentes.
E descubram bem a minha cara.
Que vejam bem os amigos a incerteza, o pavor, o pasmo. E cada um leve bem nítida a idéia da própria morte.
Descubram bem minhas mãos!
Meus amigos, olhem as mãos! 
Onde andaram, o que fizeram, em que sexos demoraram seus dedos sabidos?
Meus amigos, olhem as mãos que mentiram a vossas mãos!
Foram esboçados nelas todos os gestos malditos: até os furtos fracassados e os interrompidos assassinatos. 
Mãos que fugiram da suprema purificação dos possíveis suicídios.
Descubram e exibam todo meu corpo, as partes excomungadas, 
as partes sujas sem perdão.
Eu quero a morte nua e crua, terrífica e habitual.
Quero ser um tal defunto, um morto tão acabado, tão aflitivo e pungente, que possam ver, os meus amigos, que morre-se do mesmo jeito como se vão os penetras escorraçados, as prostitutas recusadas, os amantes despedidos, que saem enxotados mas voltariam sem brio a qualquer gesto de chamada.
Meus amigos, tenham pena – senão do morto – aos menos dos dois sapatos do morto. Olhem bem para eles. E para os vossos também!

















poema Amanhecer de Geir Campos
https://www.youtube.com/watch?v=VE5QJwi2pyo

VIGILIA

GEIR CAMPOS 

Não, meu amigo, não precisas ter
nenhum cuidado: havendo o que cuidar,
cuidarei eu constantemente a te poupar
coitas que vão teu coito arrefecer.

Coitado de quem deixa a noite ser
vinda fora de tempo e de lugar
sombreando as alturas do prazer
com rasteiras tribulações do lar.

Antes que venha a noite, vai o dia
mostrando os horizontes de alegria
que tem a palmilhar no corpo dela:

são costas, são gargantas, são colinas
— toda uma geografia em que te empinas
enquanto pelo teu meu amor vela.












Fica então a dica aos educadores, vamos abrir o conhecimento desta nova geração de leitores.