sábado, 22 de abril de 2017

Fábricas que se transformaram em Espaços Culturais na Espanha, Portugal e Brasil, veja aqui esses "cases".


ex. fábricas ociosas que se tornaram lugares fantasmagóricos na Europa, foram se transformando em sua maioria por iniciativas privadas com o apoio da gestão pública e, hoje são cases de  sucesso. Como os exemplos são inúmeros, citamos aqui apenas alguns e dentro do nosso foco Ibero-Americano.

 Ao ver os casos abaixo, fica para nós brasileiros um vazio, uma sensação mais uma vez de desperdício de talentos e de ineficiente gerenciamento público/privado.


Diante da operação lava-jato então, fica evidente, que as verbas desviadas para a construção de mega obras, nos dá a sensação de que nos cimentaram. Até que tenha obras, mas, estritamente necessárias, o que não é o caso... Ao invés de reformar o que existe e aproveitar o nosso capital humano/criativo, diante da imensidão continental que é este país e da riqueza não só natural, mas também,  intelectual criativo, os exemplos abaixo, de realizações feitas em países pequenos, comparados ao nosso, que viveram guerras e souberam se reinventar se recriar ... 


Por que não aqui? Por que não? 


Madri

La Tabacalera






A antiga Fábrica de Tabaco de linda arquitetura é  praticamente um espaço anarquista. Com autogestão as ações são horizontais todos devem fomentar a cooperação entre iguais, buscando formas democráticas de participação organizacional e decisória. 

Os espaços e as atividades devem ser gratuitos. Algumas atividades contudo geram seus próprios recursos para serem sustentáveis. 










Museu ABC




A fábrica de cerveja Mahou se tornou o  Museu ABC. Seu criador é José López Salaberry, um arquiteto extremamente ligado ao urbanismo madrileno, atuante nos primeiros anos do séc. XX (segundo o site oficial). 

A revitalização do espaço que é direcionado a estudos, espaços multifuncionais, trabalhos de gestão, arquivos da coleção ABC, um laboratório de restauração (...) promoveu a revitalização do seu entorno também. 









Barcelona 



Desde 2000, a Prefeitura de Barcelona, diante da degradação da região norte da capital da Catalunha, antiga zona industrial, vem criando ou apoiando iniciativas privadas, para a fomentação da Economia Criativa e de Cultura Criativa. A única Fabrica Criativa que é de propriedade e gestão municipal é a  Fábrica Fabra i Coats.


Dois Centros Industriais foram transformados em um distrito inovador, oferecendo espaços modernos onde facilita a construção de parcerias com ideias inovadoras, visando transformar o urbanismo da capital catalã, Barcelona. 

O projeto tem três vieses Inovação Urbana, Inovação Economia e Inovação Social. 

















As Fábricas de Criação

No Distrito de San Martí, cerca de  10 Fábricas de Criação, foram homologadas pela Prefeitura.  Diferente da  22@,  focada em empresas de tecnologia, essas são direcionadas as artes, tendo a plástica como a mais quantitativa.


Palo Alto
Aqui já é o caso da iniciativa privada. Pierre Roca & Associats, uma empresa de produção cultural, comprou uma antiga fábrica em 1987 e atualmente promove eventos e estudos culturais. 


La Escocesa

Antiga fábrica de produtos têxteis, de 1852, estava em ruínas, quando o proprietário alugou para um grupo de artistas visuais, por um preço baixo nos anos 90. 

A iniciativa recebe também verbas municipais, por isso tem a contrapartida de ter em seu cardápio programação cultural gratuita para o grande público e programa de residência para artistas. 


La Central del Circ

Em 2008, foi criada pela Associação dos Profissionais do Circo da Catalunha e pela Prefeitura de Barcelona, como um espaço de criação e pesquisa circense. Atualmente ocupam um espaço no Parc del Fòrum, no extremo norte da cidade.








Hangar






Complexo industrial de 21.000 m²  de confecção de tecidos. Em 1997, a Prefeitura cedeu ao movimento de moradores e artistas e transformou o espaço em centro de cultura e pesquisa. Hoje funciona como fundação e parte do local se transformou em área residencial. 



LISBOA
Fábrica Braço de Prata



Com o empreendedorismo de Nino Nabais que após fechar a sua livraria no Bairro Alto, propôs aos donos da antiga Fábrica de material de guerra, que quase virou um estande de vendas para um novo baixo de luxo, virar um espaço cultural por tempo limitado. Usar um espaço ocioso.  






A proposta de Nuno era utilizar o espaço enquanto a obra do futuro bairro luxuoso estivesse embragada, mas, como a arte tem magia, o espaço se fortaleceu como um rico local de pensamentos; abrigando salas de cinema, de teatro, bar, restaurante, livraria e até um bunker para shows e festas. E quem teria coragem de embargar esta obra de arte? Se o tal bairro luxuoso nasceu não sabemos, mas, a Braço de Prata continua e fervilhando.  



LX Factory



Na verdade foi vendo "Pedro mundo no GNT- especial Lisboa" onde este espaço foi citado, que nos despertou a ideia de fazer essa matéria. Averiguar se este era em si um movimento, também na esfera ibero-americana como já é nos demais países europeus e nos EUA.



É mais uma historia com final feliz, era mais uma vez uma fábrica, aqui no caso datada em 1846, no bairro de Alcântara, onde nasceu a Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonense é... onde a fabrica acabou, o espaço se deteriorou.. E heis que Fernando visionou e transformou o local em uma ilha criativa. 

Hoje o LX Factory é um ponto se não O ponto de agito e criação da capital Portuguesa. E aqui como nos demais espaços expostos, esta iniciativa fez aquecer a linha de fabrica no entorno, que foi se reurbanizando e trazendo novos empreendimentos. 

























Coimbra

Convento de São Francisco






Já foi casa de frades e uma fábrica de lanifícios. O espaço agora é um centro cultural e de convenções. Com arquitetura antiga, de estilo maneirista coimbrão, e arquitetura contemporânea, onde agrega o novo e grande auditório, com fosso para a Orquestra Sinfônica e uma boca de cena de 18 metro. 

O Convento de São Francisco ainda oferece restaurante, cafés, estúdios e se pretende ainda criar um hotel.  













RIO DE JANEIRO

FÁBRICA BHERING










Tradicional fábrica de chocolates que atuou entre as décadas de 1920 e 1960, a construção ficou abandonada até 2005, quando o proprietário inspirado nos casos das antigas fábricas Europeia adotou a ideia e resolveu alugar para ateliês, filmagens de cinema e TV. 
Sempre no primeiro sábado de cada mês, a Fábrica Bhering oferece o "Projeto Circuito Interno", com ateliês abertos à visitação pública. 

Há desde cafés, ateliês e a  “Livraria da Fábrica”, com livros novos e usados, somando cerca de seis mil títulos e volumes raríssimos, como um guia de cores francês de 1889 que pertenceu a Dom Pedro II, avaliado em R$ 30 mil.


Lá também está  M.O.O.C. – Móveis, Objetos e Outras Coisas – dos arquitetos Bel Lobo e Bob Neri, um depósito de 200 metros quadrados transformado em showroom de móveis e objetos. Ha também o Café da Fábrica, das chefs Marcella Morizot e Anna Paula Bokel. No quinto andar fica o terraço da fábrica, de onde se tem uma vista incrível da região portuária, onde deve-se assistir ao pôr do sol.  




Ah e lá estão nossos porta-retratos com fotos da Rede Latitudes 😍 no quinto andar, no ateliê do Artista Plástico Robson Lemos e do artesão em madeira Rogério Gleich. Vai lá e compre os nossos produtos, nos ajudem! vai!!!





























Fundição Progresso




Em se tratando de Rio de Janeiro não poderíamos jamais deixar de citar a Fundição, que pioneiramente no quesito ocupar espaços públicos e abandonados, iniciaram a sua trajetória ainda com o Projeto Circo Voador, armando a lona literalmente no  Arpoador e depois rumando para a Lapa, então degradada. 



Os ativistas e programadores culturais ao saberem que uma  antiga e desativada fundição de fogões e cofres estava sendo demolida. OK não é uma fábrica, mas como de fato eles revolucionaram no mesmo estilo dos demais cases aqui citado,  e continuam, vale inserir aqui neste contexto.  




 "Diante da negativa dos trabalhadores em parar a demolição, alguns circenses se puseram entre as marretas e o prédio enquanto outros foram buscar ajuda, com o objetivo de embargar politicamente a demolição" (fonte site da Fundição). Até hoje uma extensão do Circo Voador a Fundição e o Circo continuam sendo as lendas atuantes no quesito transformar espaços e vidas.  












Curitiba






Fábrica de Fitas Venske

No final dos anos 30 Gustavo Venske inaugurava a sua Fábrica de fitas. Com o fim da segunda guerra mundial, a empresa começou a perder seu espaço no mercado com a concorrência dos europeus. Em 80 a Fábrica de Fitas Venske fechou. 

Atualmente, o complexo é formado por várias empresas e instituições, que ocupam uma área construída de 16.000 m². Lá estão os Institutos Goethe, Cervantes, o Centro de Dança Latina Walmir Secchi; Juizados de Pequenas Causas, o Teatro A Fábrika, com capacidade para 150 pessoas, entre outros, e é uma referência da cidade.
Salvador

Mercado Iaô











 Antiga Fábrica de Linhos Nossa Senhora de Fátima agora é o mais recente espaço cultural da Bahia entrando no estilo ex fábrica. 

Com uma área de 7.000 m² o local oferece artesanato, moda, acessórios, decoração, gastronomia, artes plásticas, música, teatro e dança.

Agora também as comidinhas de rua estão lá, prepare-se para comer cocadas, quebra-queixo entre outros.










PS: e se você tem uma dica dentro deste tema ex fábrica que virou espaço cultural na sua região, ou onde você ja tenha ido e recomenda, 

manda pra cá!

 redelatitudes@gmail.com.