terça-feira, 29 de agosto de 2017

Fundão em Portugal será o novo espaço tecnológico

"In the last year the unemployment rate in Portugal fell to less than 10 per cent, with 46 per cent of new jobs coming from start-ups younger than five years old. With a government-supported entrepreneurship ecosystem, Portugal is a top destination to create, test, fail fast and try again. We look at Portugal’s entrepreneurs capturing the spirit of explorer Vasco da Gama."
















(parte do artigo de Sam Fentman @wrdsmithery, 
na página da Virgin do CEO Richard Branson)




Hoje fuxicando o link, no linkedin, do mega empreendedor Richard Branson, dono do conglomerado Virgin, o artigo acima citado me chamou a atenção. Primeiro por tratar de Portugal, minha segunda pátria, uau quer dizer que a terrinha que até ontem era motivo de anedotas de nós os colonizados de fato esta na pauta.. vida longa e sucesso. Em seguida pelo tema start-ups, também o tema do momento.. 

Em resumo o texto trata do apoio do governo portugues as iniciativas da nova economia criativa, start-ups. Trata dos jovens que se mudaram para Lisboa, em sua maioria, devido ao apoio e baixo custo, no caso o case era sobre duas jovens inglesas, uma delas contudo alerta que com a expressiva imigração, os custos também vem aumentando. 





A partir deste dado me lembrei do programa "Pedro pelo Mundo" (GNT), que adoro, onde em Portugal o dono da LX Factory constata o mesmo fato, o apoio do governo em fazer o país sair da crise através do turismo e do incentivo às novas iniciativas, aqui no caso o coworking. Eles foram lá , arregaçaram as mangas e fizeram, estão fazendo. 

























Em ambos os exemplos, da Virgin e do especial "Pedro pelo Mundo/Portugal" é enfático o fator de Portugal estar conseguindo se reerguer através do incentivo da gestão pública estratégica, estimulando o turismo, dando passaporte aos descendentes de Portugueses, dando incentivo aos que não são descendentes poderem investir no país e terem com isto visto especial e enfim estimulando a nova economia criativa, através dos exemplos citados.








Um exemplo expoente fora da capital Lisboa, o do Porto, cidade que vem despontando como pólo de arte e moda é o Fundão. A pequena cidade, no Distrito de Castelo Branco, região Central, com cerca de 8 750 habitantes. Abriga o Centro  de Negócios e Serviço, onde está a multinacional francesa Altran, que presta consultoria de inovação e tecnologia, fazendo componentes de luxo para relojoarias de luxo suíça e conta com 300 funcionários em sua maioria portugueses e mais 100 funcionários no Porto, a holandesa Logicalis SMC (empresa de programação pura e dura).






Fundão e as grandes empresas 






Twintex de António Mineiro, fundada há 38 anos hoje é tocada pelos filhos Bruno e Mico.


O Fundão também abriga a Twintex que produz 1200 peças das melhores marcas de moda do mundo e tem a meta de diminuir o impacto ambiental, aliás essa é uma característica da cidade, dos microempreendedores  às macro empresas a sustentabilidade e qualidade de vida é um assunto em pauta e motivo de lá estarem.


Os filhos da terra




Os filhos da terra também se adaptaram ao novo boom e vêm aumentando a qualidade dos seus produtos como é o caso do Queijo Amarelo da Beira Baixa, um queijo de leite de cabra e de ovelhas com menos calcado e sem parafina. A produção que começou há 25 anos hoje carrega o prêmio de melhor queijo do mundo (2009). O que era artesanal agora é uma fábrica, porém , mantém a tradição de contar com leite de cabra charniqueira e de ovelha bordaleira, comprados só de produtores locais. Esta iniciativa aquece o os fornecedores ao redor, o fornecedor deles, Cova da Beira, é hoje o maior abastecedor de borregos da Península Ibérica.



Outros filhos da terra são os produtores de cerejas, como a Quinta da Porta, onde as frutas são ainda colhidas em cestos de verga e o Cerfundão:  "O Fundão vai dar um salto enorme, nos próximos cinco anos", aposta Paulo Cunha Ribeiro, administrador e sócio da Cerfundão, organização de produtores de cereja, que segundo artigo "Lá em baixo fica o silicon valley", da Revista Visão, em 2017 o fornecimento de cerejas passou de 800 a 900 toneladas e pretendem atingir em 2020 1.600 toneladas.


Paulo Fernandes 


Mas ao que se dá essa experiência exitosa? Qual é a varinha mágica? educação. Segundo o artigo da Revista Visão- é pensar no micro para se chegar ao macro, tudo ao seu tempo, tudo com estratégia. O lema é o urgente não pode passar por cima do importante!

Para a revista a cabeça pensante é Paulo Fernandes, o homem que arquitetou desde 2012 a inovação da autarquia (nossa prefeitura). Ele explica que a meta era atrair as empresas de TI, mas para isso não poderia se pensar apenas em gigas, megas e terabytes. "A cereja deu-nos a notoriedade que nos permitiu atrever-nos a avançar para outras áreas", conta Paulo Fernandes para a Revista Visão.





O pulo do gato- Academia de Códigos 


Academia de Códigos


Em resumo ele partiu do do micro, apoiando os jovens que lá vendiam os seus produtos artesanais como sabonete de azeite... cedendo espaços públicos, criando incubadoras, espaços de cowork e oficinas agregadas.

Em contrapartida os empreendedores arcaram com as obras, pagando pelo espaço uma quantia irrisória, compartilhando com empresas  agregadas,  fomentando o comércio local e recuperando o centro histórico.






Cowork do Fundão:

 http://cm-fundao.pt/movetofundao/Living_Lab/Cowork_moagem







Mas, o pulo do gato foi a criação da Academia de Códigos, nascido no antigo Cassino Fundanense; lá todos passaram pelo bootcamp - imersão de 3 meses aprendendo a programar.  Lá se trabalha a autoestima de pessoas que ficaram desempregadas ou são jogaram para os " Call-center". Segundo a revista, mentes brilhantes alí se transformaram em juniors of sofware developers. Recebendo gente de todas as idades e sem antecedentes na área.








A Academia junta inovação social com o bootcamp para adultos e para os estudantes do primeiro ciclo das escolas públicas do município. Para eles é tão vital no ensino atual como o inglês. O resultado prático, segundo o artigo, é 97% de empregabilidade ao final de um mês.














E o Brasil colônia com tantas cabeças pensantes com tanto espaço territorial com tanta riqueza criativa e biodiversidade o que faz? Uns cowork espalhados e por iniciativa privada como o novo espaço do Google no Rio de Janeiro, uma iniciativas públicas como o Riocriativo do Estado do Rio, mas que em crise não deve estar em sua potencialidade máxima. Jogando a população ao desemprego ou ao " se vira ai" , o nosso jeitinho de empreender. 







Estamos fazendo o caminho reverso, deixando a colônia e voltando à corte?





Ainda queremos acabar coma floresta para exportar outro, leia aqui arquivo relacionado: