terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Tarsila no MoMA



Para quem pretende ir a Nova Iorque, até o dia 3 de junho o MoMA está celebrando Tarsila do Amaral. Esta é a primeira exposição exclusiva de nossa desenhista, escultora e pintora, líder do movimento antropofágico. 





Com a curadoria do poeta e historiador venezuelano Luiz Pérez-Oramas- o mesmo que levou Lygia Clark  também ao MoMA-  a exposição centra-se nas obras da década de 1920, quando ela navegou nos mundos da arte de São Paulo e Paris, e mostra seu envolvimento com uma comunidade artística cada vez mais internacional, bem como seu papel crítico no surgimento do modernismo no Brasil. (MoMA).





Tarsila do Amaral nasceu no interior de São Paulo, em 1886, e viveu a sua infância na próspera fazenda de café do pai. Com isso pode estudar no Colégio da elite paulistana, Sion e depois em Barcelona, na Espanha, onde fez seu primeiro quadro, ‘Sagrado Coração de Jesus’, em 1904. Ao voltar para o Brasil com a filha Dulce, começou os seus estudos de escultura, criando a obra Zadig, (1918) quando conheceu a futura parceira do Movimento Antropofágico a pintora Anita Malfatti.



Em 1920, foi estudar em Paris. Em 1922 por carta enviada por Mafatti soube da Semana de Arte Moderna, que acontecera em fevereiro do mesmo ano. Tarsila voltou ao país e se integrou ao grupo modernista, então formado por Anita, Oswald, e os escritores Mário de Andrade (irmão de Oswald) e Menotti Del Picchia. Em dezembro de 22, ela voltou a Paris e em seguida Oswald, então seu namorado, foi encontrá-la.

Deste amor nasceu a sua obra mais famosa e símbolo do movimento modernista brasileiro o quadro "Abaporu" (1928), presente de Tarsila para o agora marido, Oswald de Andrade. Só esta pintura já vale a visita. “Abapour” que em Tupi-Guarani significa “O homem que come carne humana”, antropófago.






“Abapour” é a tela brasileira mais valorizada no mercado internacional, segundo especialistas em arte e hoje faz parte do acervo do argentino MALBA
 (Museu de Arte Latina de Buenos Aires).

Tendo “Abapour” como inspiração, Oswald escreveu o Manifesto Antropófago nascendo o famoso e marcante Movimento Antropofágico. Segundo o site oficial da pintora “A figura do “Abaporu” simbolizou o Movimento que queria deglutir, engolir, a cultura europeia, que era a cultura vigente na época, e transformá-la em algo bem brasileiro. Valorizando o nosso país.” (Fonte www.tarsiladoamaral.com.br).

“é a ilustração do movimento antropofágico onde Andrade usava o termo canibalismo como símbolo de ingestão da arte moderna europeia e a cultura tradicional brasileira para produzir um estilo híbrido” 
avalia o curador Luiz Péres-Oramas.   



Este movimento modernista brasileiro de quebrar regras, ao contrário da maioria dos movimentos de contracultura, ou vanguarda, vêm da elite, como acima exposta a vida de Tarsila do Amaral e seus parceiros. Geralmente os movimentos de contracultura, ou de protesto nasce dos inquietos com a sua própria situação social, como é o caso do Movimento Punk, Hippie, dos Grafiteiros e até do atual Funk. Mas, isso não desqualifica o Movimento Modernista Brasileiro, ao contrário, para uma reação basta uma ação ousada.





Tela ‘A Negra’ tem ligação com sua infância, pois essas negras eram geralmente filhas de escravos que tomavam conta das crianças e, algumas vezes, serviam até de amas de leite. Com esta tela, Tarsila entrou para a história da arte moderna brasileira.



1929 quando Tarsila fez sua primeira exposição individual no Brasil, foi um ano de altos e baixos. Recebeu críticas também desfavoráveis, com a crise da bolsa em Nova Iorque, que gerou a crise do café no Brasil, nossa artista perdeu parte da fortuna e teve que começar a trabalhar. Findou-se com a sua separação de Oswald de Andrade que se jogou nos braços da então jovem estudante de 18 anos Patrícia Galvão, a famosa Pagu. Mas, a vida de Tarsila não parou aí, quem quiser saber de tudo que essa mulher viveu e produziu acessa aqui o link oficial: 



http://tarsiladoamaral.com.br/biografia/


Para quem não pode ir o site no MoMA têm áudios explicando cada obra de arte, que luxo! Pode ser uma bela inspiração para os museus do Brasil, que tal?