quinta-feira, 26 de abril de 2018

Se a geração X é a Coca-Cola que bebida seria a Geração Y?

Por Duda Fernandes
Bisbilhotando a revista portuguesa Visão, me deparo com uma matéria muito interessante sobre a geração Y (Millennials).


Em um vídeo introdutório faz-se um resumo sobre os Baby Boomers (1946-1964), eu quase entrei nessa turma, mas não, nasci em 1965 então entrei na geração X. Segundo a revista a turma da contracultura, nossos pais ou irmãos mais velhos, foi lutadora e idealista , tiveram grandes conquistas civilizatórias. Essa é a turma dos Beatles, dos hippies...nós da geração X fomos muito influenciados pelos tempos do psicodelismo, quem não? na minha infância assistia ao incrível Banana Split e ao Sitio do Pica-pau amarelo com as "bananadas de goiaba e goiabadas de marmelo" mas também foi uma época de muitos conservadores que seguindo a linha dos pais passaram a sua vida no mesmo emprego.





 
anos do psicodelismo.




Geração X

O artigo segue analisando os sucessores, a minha turma, intitulada de  X (1965-1979), nós somos uma espécie de inferno civilizatório. Nos classificam de cínicos (opa não gostei disso não, não sei se em Portugal a palavra tem o mesmo peso que no Brasil) e pessimistas, será? Bem, a minha geração fez o movimento punk, talvez seja esse o tal pessimismo.




Acervo Instituo Durango Duarte



Ainda segundo a revista, somos pouco numerosos devido as pílulas anticoncepcionais, mas isso não foi um avanço? Usamos ainda a máquina de escrever, mas já estamos totalmente adaptados a era digital. Eu já acho que nem tanto, sabemos usar os recursos básicos para sobreviver, mais, somos saudosos e utilitários dos livros impressos, discos e CD´s, só abolimos mesmo as fitas K7s.

Tv Telefunken- sucesso dos anos 80


Saudosa fita K7.




Nos somos a geração que viu TV em preto e branco, passar para a cores, vimos mais tarde as noticias em tempo real, via satélite com a primeira transmissão " ao vivo" de uma guerra e a famosa entrevista feita por Peter Arnnett (CNN) com Saddam Hussein em 2012, e finalmente nos adaptamos ao mundo online. 








Somos flexíveis ne?


Ainda sobre a minha geração X,  fomos nós as ruas para defender a volta da democracia no Brasil, vivenciamos a  queda do muro de Berlim,  enfrentamos a Aids e fomos os primeiros a assumir abertamente a homossexualidade. Lançamos o Nirvana (apensar da matéria portuguesa citar o movimento Grunge como da geração Y, não foi), U2, The Smiths, The Police, Metallica, Guns n’ Roses, Ramones, Pearl Jam, entre outros. E por aqui através da Fluminense FM e do Circo Voador derrubamos a hegemonia das rádios em só tocarem musicas de sucesso e abrimos a torneira para as novas bandas, sem jabá (propina das gravadoras para as rádios tocarem seus sucessos), tudo de forma compartilhada como a futura geração aprendeu a fazer- no caso Paralamas, Titãns, Legião Urbana berrando no fim da ditadura: “Que país é esse...”.




Geração Y 

E finalmente chegamos no paraíso, os depois de nós, a geração Y- Millennials- Estes sim não são tão consumistas como nós fomos (ok anos 80 em paralelo com o punk eram os yuppies, totalmente consumistas e individualistas, mas, foram os que abriram as portas para a globalização). Globalização essa que os Millennials desfrutam agora. Segundo a revista 60% dos Y preferem alugar e compartilhar do que possuir e são completamente conectados, nasceram online, e globalizados, 75% compra tudo pela internet e aquece o e-commerce. Graças a nós ok pirralhada?😏😋😊😘😘 é só brincadeira e provocação de tia, amos vocês e acho que estão indo no caminho certo, ok? 


http://www.natyvosdigitais.com.br




Pirralhada é papo de velha cocota ;-) 😅foram os velhotes hippies que começaram a desenvolver a internet, a princípio para fins militares, depois os bichos grilos começaram a democratizar (criaram o .edu) liberando para as faculdades com fins de troca cientifica. O resto todo mundo conhece a historinha da disputa de Bill Gate, que facilitou o entendimento literalmente desenhando para os pobres mortais apenas clicarem e Stev Job em tornar os computadores e suas ramificações utensílios domésticos. Ambos, nasceram em 1955, ambos, portanto da hippie generation. E por falar em hippie o nosso mago Paulo Coelho acaba de lançar um novo livro sobre a sua geração cujo nome é “hippie”.

O artigo afirma que os Y são mais ecologistas e adeptos da economia partilhada, car sharing, cowork, que bom, mas, também os movimentos sociais as ditas ONG´s vêm desde os WWF (1961- geração baby boomers) e Greenpace (1971- Geração X), que arrombaram a porta do mundo para a causa ecológica e aqui, Betinho e sua Ação da Cidadania (1993- Geração X) apesar de o Betinho em si ter nascido em 1935.






Os jovens nascidos entre 1980 e 1996 estão sempre ligados, mas são menos consumistas do que os seus pais, fogem do endividamento e preferem a experiência à posse.
(Revista Visão/PT)

Os primeiros da Generation Me (Geração Eu, outro dos cognomes que lhe estão atribuídos devido a um alegado narcisismo que lhes será característico), já têm mais de 30 anos. Claro que a maior parte destes jovens quer ter uma casa própria, mas um número significativo – 30% – diz que não é uma prioridade, a juntar aos 15% que não pensam em comprar um imóvel num futuro próximo (ver infografias)... Segundo uma pesquisa em Havard 51% desta geração não apoiam o sistema capitalista! (Fonte Revista Visão)

Esta nova economia, chamada “da partilha”. Começou ingenuamente, sem sede de lucro, com o “velhinho” Couchsurfing. São serviços à medida dos Millennials, que não gostam de acumular, mas de partilhar ou alugar, do carsharing ao cowork. “O digital acabou com a Blockbuster (rede de clubes de vídeo) e a Kodak deixou de ser relevante… Isso foi uma hecatombe.
(Visão/PT)

Alguns críticos acham que esta turma tem um q de narcisista devido ao excesso de fotos e selfies. Há os que os acham também uns eco-chatos que resolveram engessar todo mundo ao seu modo. E os que ainda acham que este novo marketing das mídias digital gera uma falsa impressão de comunhão, mas todos estamos cada vez mais isolados. Eu particularmente não assino embaixo a teoria de que para existir tem que aparecer dentro dente universo online, onde deve-se publicar algo todos os dias.


https://tempolivre.umcomo.com.br


Sigo uma escritora famosa no Brasil, sucesso para o publico infanto-juvenil que todos os dias publica algo sobre o seu dia a dia, e fiquei pensando nisso, será que Monteiro Lobato faria isso nos tempos atuais? O Sitio do Pica-Pau Amarelo sobreviveu sem nenhum marketing digital e sobrevive até hoje. Por acaso assisti uma entrevista de Clarisse Lispector, sem nenhuma estratégia de marketing e super espontânea, como era nos anos 80, os jornalistas suavam para tirar algo desses artistas e fiquei saudosa e reflexiva. Porém, nunca estivemos tanto como agora  “dentro da casa” de políticos como Obama, ou da corte Inglesa... Por outro lado, a invasão ou o narcisismo não é um problema desta geração, é de quem usa e como usa as redes sociais.






Num artigo da revista Time, o executivo Scott Hess, que tem um discurso nas conferências TedX sobre os Millennials, brincava assim com o assunto: “Podem imaginar se os ‘boomers’ tivessem YouTube? Podem imaginar a quantidade de Instagrams aberrantes, de pessoas a brincar na lama, teríamos visto durante o Woodstock? Em muitos sentidos, estamos a culpar os Millennials pela tecnologia que existe agora”.

Spotify: geração Y é o principal mercado da plataforma de música (Fonte:Revista Exame



A geração Y já vem fazendo na pratica a cartilha da sustentabilidade desenvolvidas pelas gerações antecessoras- Os Rs (Repensar, Reciclar, Reduzir, ...)  podem ser vistos em Startups como “Uber”, “Airbnb”, “aluguel de roupas”, “Brechós”, “Spotfy”, "tag", em coletivos de " agricultura orgânica”, ... 

Essa é a geração do “ser” e não do “ter” que já tem uma grande habilidade em desenvolver tecnologias digitais e são estimulados a empreender, coisa que na minha geração X o emprego fixo era essencial, apesar de eu mesma nunca ter tido e ter começado a minha vida em dois projetos com um pé no Hippie (Radio Fluminense e Circo Voador).































Por terem nascido online e serem da teoria do compartilhando e não do consumo, o mercado está tendo que se adaptar- lojas de rua correm o risco de fechar, bancos de não terem mais agencias, mercado de luxo tende a focar em qualidade de vida e não só no consumismo desvairado. 


Em compensação áreas de turismo ecológico, esportivo e social, áreas de acessibilidade, cuidado animal, educação, designer, games, robótica, física, filosofia, sustentabilidade, seguimentos veganos e afins tendem a crescer. Fato é que conviveremos cada vez mais com robôs, para o bem e para o mal, como tudo nessa vida.










Portanto, bem vindos ao futuro!




Referência: