sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Seria " A formula da água" a formula do amor?






Vendo o filme “A formula da Água” do mexicano Guilhermo Del Toro me deparo com generosos minutos de Carmem Miranda, nossa portuguesa abrasileirada, na telona. Quem é de comunicação sabe que cada segundo é muito prestigio, é uma menção honrosa a um artista. Fiquei lembrando alguns filmes internacionais que têm a música brasileira como pano de fundo.  Mas aqui, não quero fechar no mundinho auto centrado das homenagens aos patrícios, mas, ao contrário aplaudir a vastidão sem fronteiras do sentimento do amor exposto pelo roteirista e diretor.  

O filme em si dispensar mais comentários é uma ode ao amor maior, despreza o xenofobismo e eleva o poder do sentimento maior por qualquer humano, ou não humano. Dispensa códigos e fronteiras, dispensa até a fala, só o olhar e o som afinal a "princesa" é muda e o "príncipe"  um monstro. Lembrando um pouco a Bela e a Ferra para adultos. O mostro é horrendo para os nossos padrões estéticos, mas, é tão amoroso, no olhar e nas expressões que vai nos cativando. A bela e a ferra se amam simplesmente, da forma mais pura, mais líquida.  

“Quando, porém, vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá.” 
( Coríntios 13:10 )


O recheio é quase um Tarantino de tanta violência salpicada de humor bizarro. Mas, o que ficou para mim, foi quase uma mensagem divina. Somos todos “uno” e no nosso planetinha a maioria de nós só sobrevive com água e ar e ambos estão lá pontuando a sobrevivência do mostro e consequentemente a nossa própria existência. No filme, o mostro apesar de não sobreviver fora da água é capaz de se reerguer às balas, a violência humana, que o malfeitor o alveja, sendo então considerado um Deus. 




No catolicismo a água está relacionada ao batismo, o símbolo maior do nascimento do cristão. No Judaísmo, hinduísmo e Islamismo a água tem o objetivo de restaurar ou manter um estado de pureza, assim como, as mais diversas religiões. Para o Budismo "Deus está dentro de nós,  “ O Deus que habita em mim, habita em você (Namasthe) e se somos compostos de água, nós e aquele mostramos temos sim muito em comum, é um religare


Não sei se essa foi a intenção do roteirista e diretor Del Toro, mas, assim senti e, a arte tem o poder de tocar a cada um das mais sutis formas com as mais diversas interpretações. Portanto, para mim " A formula da Água" foi a " forma" que um autor macho latino 😋😋pode expressar um amor infinito e divino. 



Muitas chuvas, rios, cachoeiras de elogios . Um oceano de Oscar para ele. ...


Del Toro


E vamos de música porque hoje é dia de musica, hoje é sexta-feira




La Javanaise“, de Madeleine Peyroux,

Chica Chica Boom Chic“,  Carmen Miranda.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Tarsila no MoMA



Para quem pretende ir a Nova Iorque, até o dia 3 de junho o MoMA está celebrando Tarsila do Amaral. Esta é a primeira exposição exclusiva de nossa desenhista, escultora e pintora, líder do movimento antropofágico. 





Com a curadoria do poeta e historiador venezuelano Luiz Pérez-Oramas- o mesmo que levou Lygia Clark  também ao MoMA-  a exposição centra-se nas obras da década de 1920, quando ela navegou nos mundos da arte de São Paulo e Paris, e mostra seu envolvimento com uma comunidade artística cada vez mais internacional, bem como seu papel crítico no surgimento do modernismo no Brasil. (MoMA).





Tarsila do Amaral nasceu no interior de São Paulo, em 1886, e viveu a sua infância na próspera fazenda de café do pai. Com isso pode estudar no Colégio da elite paulistana, Sion e depois em Barcelona, na Espanha, onde fez seu primeiro quadro, ‘Sagrado Coração de Jesus’, em 1904. Ao voltar para o Brasil com a filha Dulce, começou os seus estudos de escultura, criando a obra Zadig, (1918) quando conheceu a futura parceira do Movimento Antropofágico a pintora Anita Malfatti.



Em 1920, foi estudar em Paris. Em 1922 por carta enviada por Mafatti soube da Semana de Arte Moderna, que acontecera em fevereiro do mesmo ano. Tarsila voltou ao país e se integrou ao grupo modernista, então formado por Anita, Oswald, e os escritores Mário de Andrade (irmão de Oswald) e Menotti Del Picchia. Em dezembro de 22, ela voltou a Paris e em seguida Oswald, então seu namorado, foi encontrá-la.

Deste amor nasceu a sua obra mais famosa e símbolo do movimento modernista brasileiro o quadro "Abaporu" (1928), presente de Tarsila para o agora marido, Oswald de Andrade. Só esta pintura já vale a visita. “Abapour” que em Tupi-Guarani significa “O homem que come carne humana”, antropófago.






“Abapour” é a tela brasileira mais valorizada no mercado internacional, segundo especialistas em arte e hoje faz parte do acervo do argentino MALBA
 (Museu de Arte Latina de Buenos Aires).

Tendo “Abapour” como inspiração, Oswald escreveu o Manifesto Antropófago nascendo o famoso e marcante Movimento Antropofágico. Segundo o site oficial da pintora “A figura do “Abaporu” simbolizou o Movimento que queria deglutir, engolir, a cultura europeia, que era a cultura vigente na época, e transformá-la em algo bem brasileiro. Valorizando o nosso país.” (Fonte www.tarsiladoamaral.com.br).

“é a ilustração do movimento antropofágico onde Andrade usava o termo canibalismo como símbolo de ingestão da arte moderna europeia e a cultura tradicional brasileira para produzir um estilo híbrido” 
avalia o curador Luiz Péres-Oramas.   



Este movimento modernista brasileiro de quebrar regras, ao contrário da maioria dos movimentos de contracultura, ou vanguarda, vêm da elite, como acima exposta a vida de Tarsila do Amaral e seus parceiros. Geralmente os movimentos de contracultura, ou de protesto nasce dos inquietos com a sua própria situação social, como é o caso do Movimento Punk, Hippie, dos Grafiteiros e até do atual Funk. Mas, isso não desqualifica o Movimento Modernista Brasileiro, ao contrário, para uma reação basta uma ação ousada.





Tela ‘A Negra’ tem ligação com sua infância, pois essas negras eram geralmente filhas de escravos que tomavam conta das crianças e, algumas vezes, serviam até de amas de leite. Com esta tela, Tarsila entrou para a história da arte moderna brasileira.



1929 quando Tarsila fez sua primeira exposição individual no Brasil, foi um ano de altos e baixos. Recebeu críticas também desfavoráveis, com a crise da bolsa em Nova Iorque, que gerou a crise do café no Brasil, nossa artista perdeu parte da fortuna e teve que começar a trabalhar. Findou-se com a sua separação de Oswald de Andrade que se jogou nos braços da então jovem estudante de 18 anos Patrícia Galvão, a famosa Pagu. Mas, a vida de Tarsila não parou aí, quem quiser saber de tudo que essa mulher viveu e produziu acessa aqui o link oficial: 



http://tarsiladoamaral.com.br/biografia/


Para quem não pode ir o site no MoMA têm áudios explicando cada obra de arte, que luxo! Pode ser uma bela inspiração para os museus do Brasil, que tal? 




domingo, 18 de fevereiro de 2018

Latino América em destaque

A Revista Ela de O Globo de hoje, 18/02/2018 apontou notas interessantes e estimulantes para nosso universo da cooperação Ibero-Americana. Parecia quase uma Revista Latitudes! 😎😍

Nannacay marca carioca de acessórios que capacita artesãos no Brasil e  no Peru, agora trabalha também com famílias do Equador.




Quem são:

Nannacay® (Nãnãkay), nome de origem Quechua Aimara, que significa irmandade de mulheres. Muito mais do que uma marca, trata-se de um novo projeto de moda social; Creative Hands Transforming Lives. Sua missão é ajudar pessoas a desenvolver potenciais criativos, servindo de ponte entre povos que precisam de ajuda e pessoas que queiram ajudar.
A primeira linha de produtos que já circula entre fashionistas, é produzida por uma comunidade de artesãs do Peru. São bolsas e objetos em junco em junco com raízes tribais que refletem o colorido, o desenho e formas vibrantes do país. Handmade e despojadas, as peças são únicas, já que um modelo nunca é igual ao outro. Todo o desenvolvimento, padronagem de cores e controle de qualidade é coordenado por Marcia, que empresta sua expertise à comunidade. (Fonte- site da empresa)


https://www.nannacay.com/



Punta ao Ponto



A matéria mostra as delicias de Punta del Leste, no Uruguai. Avisa que o guia "Desacorchados 2018", a mais importante publicação de vinhos da América do Sul, colocou os rótulos uruguaios nas alturas. É em Punta, revela o artigo, que fica o La Huella, restaurante considerado um dos 50 melhores a A.L.

O balneário Pueblo Garzón , que fica a 60 KM de Punta virou top na produção de vinhos e a Revista Forbes elegeu como o mais luxuoso da América do Sul, e no mapa dos bons vinhedos da região. Para saber disso e muito mais acesse o link abaixo e leia a matéria na íntegra.



Via a latino América. Via Latitudes!!

https://oglobo.globo.com/ela/gastronomia/punta-del-este-grandes-vinhos-cozinha-estelar-animacao-22401168